Voos Pátrios, Editora Insular

R$57,00

Voos Pátrios
[15X21cm]

Voos Pátrios
Peter Ho Peng

ISBN: 978-85-7474-957-0
Páginas: 224
Peso: 444g
Ano: 2017

Há que se entender Peter Ho Peng e seus Voos Pátrios. Não se trata do amor incondicional de um nativo, caso possa sugerir o título desse livro, mas a expressão da complexidade de seus sentimentos e sua insólita vivência.
Ao prazer dessa leitura antecipo que o conheci líder estudantil ao entrar na Escola de Engenharia da UFRGS, em 1969. Um chinês, que aterrissou em solo gaúcho com um ano e pouco e se naturalizou, mais tarde preso, torturado e expatriado pela ditadura militar, passou a viver nos EUA, onde permanece até hoje. Aposentado, escreve no Jornal B&B, e uma difícil e breve seleção de seus artigos agora é aqui publicada.
É do sul e do norte. Formação básica em Porto Alegre, mestrado, doutorado e grande parte de sua vida profissional estadunidense. Tudo por uma inusitada circunstância. Já como engenheiro químico, em 1971, especializando-se no Rio de Janeiro, foi sequestrado e levado para o famigerado DOI-CODI. Recorro a um episódio dramático para ilustrar minha relação com Peng. Naquele tempo, audaciosamente, eu, com apenas 19 anos, e outro colega, por delegação de nossos companheiros de militância estudantil, fomos tentar localizá-lo na imensa cidade, pois sabíamos que sua vida estava ameaçada. Porém, nem recorrendo ao bispo Dom Ivo Lorscheider na CNBB, tampouco ao MDB na Assembleia Legislativa e ao advogado Sobral Pinto, bravo defensor dos direitos humanos e de presos políticos, conseguimos qualquer pista. Oito meses passados, sem qualquer crime, foi libertado. Entretanto, após dois anos, voltou às masmorras da ditadura para ser novamente supliciado.
Sem julgamento ou condenação foi levado à Delegacia de Estrangeiros (sic), subtraíram-lhe a identidade, o seu RG, e lhe entregaram uma “Carteira Modelo 19”, documento expedido apenas para estrangeiros. Retiravam-lhe a cidadania brasileira para poder expulsá-lo. A embaixada do Reino Unido emitiu-lhe um passaporte britânico (tinha nascido em Hong Kong) e seguiu para os EUA.
Nos anos 2000, já com família e carreira consolidadas, retorna ao Brasil. Empresário, trabalhando em sete estados, durante mais de dez anos tinha que, a cada 90 dias no máximo, sair e retornar para recarimbar o passaporte. Cansado, somente em abril de 2013 obteve a reparação da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, recuperando sua identidade brasileira e somente aos 65 anos de idade votou por primeira vez para presidente da República em seu país. Um arroubo de editor! Ofereço-lhes este baita livro de linguagem coloquial e escrita rebelde com a reforma ortográfica, profunda e variada temática − memória, esporte, política, economia, imigração, cultura, línguas, tradição, família etc. e tal − e gostosas tertúlias com o véio Chirú que, como ninguém, sabe ouvir e contar.
Nelson Rolim de Moura
Editor

O Voo Pátrio está só começando. Vibro em saber que talvez tenha dado um “empurrãozinho” na decolagem da carreira do escritor Pedro. Há mais de cinco anos, após sua visita à sede do jornal, em Orlando, Flórida, começava a nossa amizade e sua participação como colaborador do B&B.
Durante este período, Peter vem atraindo o interesse de leitores nos dois idiomas: Português e Inglês, com uma escrita recheada de contextos históricos, críticas, análises políticas, econômicas e sociais. Sabe distinguir, com personalidade, as diferenças culturais e linguísticas entre os povos com os quais convive: chineses, brasileiros e americanos, além de acumular talento para escrever crônica, ficção e poesia.
Durante os 40 anos de exílio, Peter guardou memórias de um tempo angustiante que estão registradas neste livro. Em 2013, após restabelecer sua cidadania brasileira, seus textos ficaram mais descontraídos, desinibidos e bem humorados.
Tudo é passado. O presente é desfrutar o livro na sua totalidade, mergulhando nos artigos na sequência ou independentemente: você escolhe. O Voo Pátrio está em suas mãos para o prazer, reflexão e como registro histórico para futuras gerações. Afrouxe o cinto e boa leitura.
Eraldo Manes
Publisher Jornal B&B

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