O colapso do figurino francês: Crítica às ciências sociais no Brasil <br>4ª edição, Editora Insular

R$46,00

O colapso do figurino francês: Crítica às ciências sociais no Brasil
4ª edição
[15x21cm]

O colapso do figurino francês: Crítica às ciências sociais no Brasil <br>4ª edição
Autor: Nildo Ouriques

ISBN: 978-85-7474-994-5
Páginas: 208
Peso: 260g
Ano: 2017
Capa: Tadeu Meyer
Ilustração da Capa: Honoré Daumier

O boqueio político e intelectual imposto à teoria marxista da dependência no Brasil tem dois pilares: a correlação de forças existente na sociedade e o colonialismo intelectual predominante nas universidades. Neste ambiente podemos observar o “figurino francês”, comportamento muito frequente em certos círculos acadêmicos que se pretendem progressistas e vivem de mastigar e reproduzir, deslumbradamente, a teoria da moda nos Estados Unidos ou na Europa – como se, de fato, tivessem encontrando a pedra filosofal para a solução dos problemas inerentes ao capitalismo dependente latino-americano. Tal comportamento serve para legitimar o perigoso consenso petista-tucano, segundo o qual o Brasil “já não seria subdesenvolvido, apenas injusto”, mas é incapaz de encontrar solução para a dependência econômica da América Latina, fonte real dos nossos problemas. Romper com a teoria liberal, compartilhada pelo consórcio “petucano” e ultra conveniente, é tarefa política e intelectual prioritária.

Este é um livro que se choca com o pensamento eurocêntrico e colonizado predominante nas ciências sociais terceiro-mundistas e, particularmente, brasileiras, propondo o desenvolvimento de um pensamento crítico que rompa com a resistência às proposições revolucionárias e libertadoras.
Contemplar todo o conteúdo desta publicação exigiria um “tempo bolivariano”, como se expressa amiúde Nildo Ouriques, para explicar quão abrangente e urgente é o projeto emancipador latino-americano. Em nosso país, o figurino francês resulta, sobremodo, da hegemonia uspiana que, valendo-se de sua prevalência no coração burguês do país, tornou-se padrão e exemplo para toda a esnobe e suposta intellingentsia nacional. Afinal de contas, a USP, reconhecida como nossa principal universidade, e sua glorificada “escola paulista de sociologia”, foi vitoriosa no domínio das ciências sociais, mas por meios infames e contrarrevolucionários. Remando contra essa maré da sociologia da ordem, Nildo opõe, por exemplo, André Gunder Frank, Ruy Mauro Marini, Vânia Bambirra, Theotonio Dos Santos, Gilberto Felisberto Vaconcellos, entre outros, a figuras como Fernando Henrique Cardoso, Paulo Arantes, Francisco de Oliveira, Carlos Nelson Coutinho, Florestan Fernandes, Maria Conceição Tavares e por aí vai.
Arrebatado e insurgente, Nildo é líder de uma batalha empreendida para superar o atraso intelectual brasileiro nas ciências sociais e a ruptura com seus atuais fundamentos: o figurino francês, ou seja, o velho colonialismo mental e seu corolário, a tentativa de perpetuar no Brasil a ignorância a respeito do caráter essencial da contribuição do pensamento crítico latino-americano ao desenvolvimento de nossas ciências sociais. E quer ainda desfazer o engodo que se armou sobre Frank e Marini, tentando tornar infecundas as ciências sociais ao anular as bases teóricas do radicalismo político e desestimular uma contundente ruptura da maioria do povo brasileiro com o status quo.
Nossos males típicos do subdesenvolvimento decorreriam da incorreta aplicação do figurino francês, sempre mal compreendido e erroneamente aplicado nos trópicos, e da conjecturada “complexidade brasileira”. Porém, transparecem fissuras nessa hegemonia reacionária, pois é, evidentemente, incapaz de oferecer solução aos mais básicos problemas nacionais irresolutos.
Predominou o figurino francês, desde o século XVIII, e o gringo no século XX. Contudo, não mais prevalecerão no século XXI, agora é a vez do nacionalismo-revolucionário e do socialismo.

H á que romper o bloqueio acadêmico eurocêntrico e evitar a impostura dominante nas ciências sociais ─ que anestesiou gerações de estudantes e militantes socialistas ─, contrapondo-se ao aprofundamento da dependência e ao desenvolvimento do subdesenvolvimento, e expondo um novo tempo histórico no qual os latino-americanos rumarão para as grandes transformações sociais às quais não devemos renunciar e que assumíamos como a Revolução Brasileira.
Para tanto, é essencial abandonar o figurino francês, fruto do colonialismo intelectual em nossas universidades, e ingressar numa nova e inédita fase de disputa teórica, com a teoria marxista da dependência reconquistando sua importância e enfrentando os graves problemas nacionais em compasso com a construção de um projeto nacional que revigores as ciências sociais no Brasil, integrando-nos à América Latina e avançando na luta nacional-revolucionária que já se realiza na Venezuela, Equador e Bolívia.
Nesta nova correlação de forças, com o colapso e a ineficiência do capitalismo frente aos desafios do século XXI e a resistência dos movimentos sociais, partidos de esquerda e forças nacionalistas, nasceu a proposta da democracia participativa mobilizando e empolgando os latino-americanos no processo de revolucionar as questões centrais da economia e da organização estatal. No Brasil, a grande tarefa intelectual e militante é construir um projeto nacional-popular e socialista, superando o “apagão mental” que embota o ambiente universitário e político brasileiro.
Embora o figurino francês tenha sido sobrepujado pelo estadunidense, obrigando-nos a pensar em inglês, escrever em inglês, publicar em inglês, no continente temos 450 milhões de habitantes potencialmente capazes de construir a Pátria Grande em espanhol e português.

Nildo Ouriques é um dos mais importantes e combativos militantes da causa socialista e da unidade latino-americana. Sua trincheira é o Instituto de Estudos Latino-Americanos – o IELA – na Universidade Federal de Santa Catarina, onde leciona Economia e Relações Internacionais. Suas temáticas principais são a dependência e o subdesenvolvimento na América Latina, a integração latino-americana e as transformações do capitalismo contemporâneo, as relações entre dependência e imperialismo e marxismo e nacionalismo, sempre na perspectiva da teoria marxista da dependência e do pensamento crítico latino-americano.
Possui doutorado em Economia pela Universidade Nacional Autônoma do México, pós-doutorado pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e é professor do Programa de Doutorado em Desenvolvimento Econômico da Benemérita Universidade Autônoma de Puebla (México).
Como presidente do IELA destaca-se por sua intensa e comprometida ação na publicação de livros, realização de eventos, seminários e debates, na divulgação de informações sobre a América Latina junto aos movimentos sociais, sindicatos e órgãos governamentais.
Dirige a Coleção Pátria Grande, Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano, em coedição do IELA e Editora Insular, pela qual se divulga autores clássicos da sociologia, economia, política, história e antropologia latino-americana, praticamente excluídos do mercado editorial ou nunca publicados em nosso país.
Promove com o IELA as Jornadas Bolivarianas, que são encontros anuais já consagrados e dedicados à avaliação crítica da vida política, econômica e cultural dos países latino-americanos, a enunciar e difundir análises destinadas a sobrepujar os princípios estruturais que perpetuam a dependência e o subdesenvolvimento em nosso continente.
Em sua vigorosa atividade capacitou-se na Divisão de Pesquisa do Banco Central da Venezuela e já ministrou cursos sobre o pensamento crítico latino-americano na Universidade Nacional de Tucumán (Argentina), Universidade Bolivariana (Venezuela), Universidade de Padova (Itália) e várias universidades brasileiras.

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O Mapa da Crise: A reinvenção das Ciências Sociais na América Latina


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