Origens do pensamento acadêmico em Jornalismo: Alemanha, União Soviética e Japão, Editora Insular

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Origens do pensamento acadêmico em Jornalismo: Alemanha, União Soviética e Japão
[14x21cm]

Origens do pensamento acadêmico em Jornalismo:  Alemanha, União Soviética e Japão
SÉRIE JORNALISMO A RIGOR VOLUME 11

Autor: Francisco Rüdiger

ISBN: 978-85-7474-979-2
Páginas: 238
Peso: 280g
Ano: 2017

Nenhuma epistemologia dos Estudos de Jornalismo (ou do campo mais amplo da Comunicação) pode abrir mão de uma perspectiva histórica que situe e ilumine o presente acadêmico como momento de um percurso maior, condicionado pelo seu passado.
A ignorância sobre a origem das ideias e dos conceitos com que operamos leva a uma dupla fragilidade científica no campo: primeiro, pela reificação das formas hoje hegemônicas de pensamento, naturalizando construções que são obras humanas; segundo, pela permanente e inglória necessidade de reinvenção da roda, ao invés do avanço do conhecimento a partir do que já estava inventado, mas foi ocultado ou esquecido.
Estes estudos aqui reunidos por Francisco Rüdiger, autor laureado com o Prêmio Luiz Beltrão de Comunicação na categoria Maturidade Acadêmica, o mais importante reconhecimento da Intercom, representa um grande passo na direção de resgatar do esquecimento os estudos de jornalismo desenvolvidos em várias partes do mundo até meados do Século XX.
O livro relata o desenvolvimento e a destruição da Ciência dos Jornais Alemã (Zeitungwissenschaft), a mais importante e influente na época, e traz informações também inéditas em Língua Portuguesa sobre os primórdios desta disciplina na Rússia, no Japão e em outros países. É uma obra imprescindível na bibliografia de nossa pós-graduação, e também nos cursos de graduação, no momento em que estes abrem espaço para as teorias do Jornalismo nas novas grades curriculares.
Eduardo Meditsch
Diretor da Série Jornalismo a Rigor

Sumário

Apresentação
1. Origens do estudo acadêmico do jornalismo e sua proposição como ciência
2. Os estudos de jornalismo e sua teorização como ciência na Alemanha até meados do século 20
3. O nazismo e a redefinição da ciência do jornal como estudo de meio de liderança
4. O Instituto de Moscou e os estudos soviéticos de jornalismo na década de 1920
5. O pensamento jornalístico comunista na década de 1920: Fogarasi, Trotski e Gramsci
6. Os primórdios do estudo da imprensa e da teoria do jornalismo no Japão
Referências

Apresentação

Raymond Nixon relata em texto com pretensão paradigmática que foram três os fundadores dos estudos acadêmicos de jornalismo: 1°) Walter Williams, criador da primeira escola de jornalismo, na Universidade Estadual do Missouri, Estados Unidos, em 1908. Originou uma linhagem em que o principal está na concepção tecnicista da matéria e na ênfase no treinamento profissionalizante do respectivo pessoal. 2°) Karl d'Ester, primeiro especialista em estudo do jornalismo a, simultaneamente, ser habilitado na área e ocupar cátedra em “ciência do jornal” na Europa (Universidade de Munique, Alemanha, 1924). Teria sido a origem de uma linhagem que fez da reflexão sobre o assunto e a formação científica dos interessados o centro de suas preocupações. 3°) Ono Hideo, criador de um centro de pesquisa sobre imprensa na Universidade de Tóquio. Seria o responsável pela introdução dos estudos de jornalismo no extremo Oriente, ainda no período entre Guerras. Para Nixon, “o trabalho destes três homens ilustra a continuidade e progresso da educação em jornalismo como o principal fator de integração da pesquisa em comunicação de massas” (Nixon, 1968, p. 24).
Tivesse sabido a respeito de Konstantin Novitski, o autor provavelmente reformularia seu esquema, pondo em outro plano o aporte do japonês, visto o russo não apenas ter sido o fundador e primeiro diretor do Instituto Estatal de Jornalismo da Universidade de Moscou, em 1921, mas ter proposto para seu programa de trabalho uma síntese entre as duas primeiras tendências. Ono Hideo lhe foi contemporâneo e, introdutor dos estudos de jornalismo no Japão, exige consideração, mas não logrou marcar posição original no campo de possibilidades que se abriu academicamente a esta área no período que antecedeu a II Guerra Mundial. Novitski, ao contrário, ainda nos anos 1920 defendeu que, ao treinamento técnico-profissionalizante, era preciso, academicamente, agregar formação científica: teoria e prática formavam uma unidade da qual não estava livre o jornalismo. Em seu ver, o preparo acadêmico para o exercício das tarefas pressupunha a reflexão teórica e o conhecimento interdisciplinar da matéria, fora o estudo da doutrina comunista do estado soviético.
No Brasil, a escola norte-americana, embora ainda não tenha sido objeto de um estudo histórico-sistemático, é razoavelmente conhecida em suas linhas mais gerais por quem quer que se interesse por teoria e pesquisa do jornalismo (cf. Traquina, 1993; Zelizer, 2004). A escola europeia ainda não está nesta situação, mas passos em tal direção têm sido dados, e não faltam referências à disposição para que o trabalho compilação das informações se traduza em bons relatos. O pensamento alemão, apesar de ser mais conhecido nas fontes, ainda o é seletivamente (Groth, [1960]2011; Weber ([1910] 2006; Dovifat [1968] 1980). As escolas soviética e japonesa, além de raras vezes discutidas fora de seus países de origem, são, em contraste, totalmente desconhecidas, e uma das razões para isso está no fato de, entre sua época e a nossa, ter se imposto o que chamamos de episteme comunicacional (Rüdiger, 2015; 2002, p. 66-98).
Houve no Ocidente a era da imprensa e da opinião pública, surgida no curso do século 18. Superpôs-se à mesma, no que passou, a da propaganda e da organização. Agora, encontramo-nos com os restos da primeira e a insistência da segunda em tempo marcado pelos termos mídia e comunicação. Avança em meio ao progresso das relações de mercado e a captura de todos os seres em redes de utensílios sociotécnicos cada vez mais caracterizadas pela portabilidade um novo pensamento (Sfez, 1995; Rüdiger, 2002, p. 66-98).
Anima o relato de pesquisa apresentado neste volume a vontade de, na medida do possível a tanto, pôr à distância os efeitos desta situação entre os que se interessam em desenvolver-lhe os meios de estudo e reflexão, através de uma revisão historiográfica e analítica do período que lhe precedeu, fechando o foco nas origens e desenvolvimento dos estudos de jornalismo, conforme esquematizadas por Nixon. Abordando os cenários alemã, soviético e japonês, após expormos o quadro mais amplo da problemática, durante período que agora parece distante, tarefa nossa, nestas páginas, é expor ao leitor brasileiro reflexões teóricas e epistemológicas sobre o jornalismo oriundas de escolas que, considerando a defasagem histórica, são às vezes pouco referidas até mesmo em seus países de origem, com vistas à relativização da força que o termo comunicação adquiriu sobre nosso pensamento.
Atualmente, fala-se muito em comunicação e mídia. No período entreguerras, contudo, era outro o léxico e sua respectiva semântica. A investigação o revela. O público intelectualizado ainda referia-se sobretudo à imprensa. As preocupações centrais com relação à mesma haviam se conectado, é certo, com a problemática da propaganda (Rüdiger, 2015). As lideranças político-empresariais, para não falar dos setores mais próximos da matéria, por outro lado estavam se movimentado no sentido de incluir a primeira temática nos estudos universitários.
Os americanos saíram na frente, focando no treinamento de mão de obra para o vasto mercado que se abrira à profissão em seu país ainda antes da Guerra. Os europeus revelaram pouco interesse pelo assunto, com exceção dos alemães, que lograram convertê-la em área de pesquisa e reflexão acadêmica, devido em parte ao papel que a imprensa teve no conflito e, supostamente, teria contribuído para a derrota de seu país.
Conforme mostraremos, os russos e japoneses desenvolveram desigualmente não apenas seu jornalismo, mas a reflexão e estudos que lograram elaborar a seu respeito sob a influência das escolas americana e alemã. Apesar disso, não foi de uma só a forma como, no período em foco, adaptaram a suas circunstâncias o sistema de ensino dos americanos e a preocupação com o estudo e pesquisa dos acadêmicos alemães. As tendências autoritárias em curso nas suas sociedades, a exemplo do que ocorreu na destes últimos, cobraram preço dos intelectuais interessados em desenvolver o estudar e conhecer o assunto, acabando por levar à subordinação prática e teórica da matéria à teoria da propaganda.
O presente trabalho, repitamos, resume nossas pesquisas a respeito desta problemática. A justificativa para tanto não é de modo nenhum recuperar o que quer que seja para emprego no presente, mas expor um acervo revelador de ideias que, reapresentadas sucessivamente como novas pela ignorância do passado por parte dos pósteros, podem servir, ao serem marcadas como antigas, de contraprova ao desejo de contemporaneidade, senão de futurismo que move ou caracteriza seção significativa dos que se dedicam à pesquisa e reflexão na área acadêmica em questão neste trabalho.
O autor deste texto, observe-se finalmente, não domina as línguas japonesa e russa para, tivesse como acessá-las conforme seu desejo, manejar as fontes primárias a respeito do assunto. A estratégia para elaborar seus argumentos foi, por isso e em essência, recorrer aos trabalhos traduzidos ou material disponível sobretudo em língua inglesa, visto também não ser o caso de encontrá-los muitos em outras ocidentais ao nosso alcance. O repertório bibliográfico que logramos levantar não é extenso mas, cremos, nos permite montar um quadro rico e nuançado do que nos propusemos abordar nesta empreitada, isto é: aprender sobre as origens e primeiros desenvolvimentos dos estudos de imprensa e reflexões teóricas sobre o jornalismo no período que antecedeu a II Guerra Mundial, dando ênfase aos casos da Alemanha, União Soviética e Japão.

Francisco Rüdiger é Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Professor no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Autor de várias obras, entre elas, O mito da agulha hipodérmica e a era da propaganda (2015), As teorias da cibercultura (2ª ed., 2012), Theodor Adorno e a crítica à indústria cultural (3ª ed., 2005) e Tendências do jornalismo (3ª ed., 2001). Em 2016, recebeu, pela segunda vez, o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, conferido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

Série Jornalismo a Rigor


Volume 1
Jornalismo Fatos e Interesses: Ensaios de teoria do jornalismo
Wilson Gomes

Volume 2
A Qualidade da Informação Jornalística: Do conceito à prática.
Carina Andrade Benedeti

Volume 3
A Escola de Jornalismo na Universidade de Columbia: O poder da opinião pública
Joseph Pulitzer

Volume 4
Jornalismo, Conhecimento e Objetividade: Além do Espelho e das Construções
Lirian Sponholz

Volume 5
Ideologia e Técnica da Notícia 4ª edição, revista e atualizada
Nilson Lage

Volume 6
O Segredo da Pirâmide: Para uma teoria marxista do jornalismo
Adelmo Genro Filho

Volume 7
Jornalismo Literário – Análise do discurso
Rogério Borges

Volume 8
Masculino, o gênero do jornalismo: modos de produção das notícias
Marcia Veiga da Silva

Volume 9
Jornalista em mutação: do cão de guarda ao mobilizador de audiência
Adriana Barsotti

Volume 10
Jornalista em mutação: do cão de guarda ao mobilizador de audiência
Monica Martinez

Volume 11
Origens do pensamento acadêmico em Jornalismo: Alemanha, União Soviética e Japão
Francisco Rüdiger

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